Deixa ki eu fasso!

A internet, e-mails, os Icq e MSN da vida trouxeram uma nova linguagem para o dia a dia, principalmente para os aficcionados. Já se permite escrever de qualquer jeito e, acho até, que é meio de mau tom corrigir as pessoas no msn. Mas o quanto essa linguagem, essa informalidade, pode sair da telinha e ir para o dia a dia? Nem um pouco. Se por um lado saímos da época do "Vimos por meio desta apresentar a V.Sa." ainda não chegamos na época do "Kara, taí a parada da grana que tu vai gastá no trampo".

A informalidade nos e-mails, principalmente quando o assunto é trabalho, não deve exceder a educação, cordialidade e o português correto. Isso não quer dizer palavras buscadas em dicionários. Quer dizer simples, mas correto. É preciso primar pela objetividade, pois as pessoas hoje recebem centenas de emails e não querem realmente lê-los. Aquele campo chamado "Assunto:" use-o com objetividade e clareza:
Assunto: orçamento - Orçamento de quê, cara pálida?
Assunto: orçamento produção site em flash - Isso sim é objetividade e clareza. Situa o assunto, a tarefa, o produto e o valor agregado que você quer dar ao seu trabalho, ou diferencia o seu trabalho de outros orçamentos que o cliente está pedindo.

Isso tudo pode parecer primário e desnecessário. Mas, se você leitor conseguisse dar uma espiada na minha caixa postal, veria o quanto necessário é às pessoas aprenderem que o email e o computador são apenas ferramentas excepcionais de comunicação e desenvolvimento. Nada mais. Os computadores não nos dão poderes sobrenaturais. Não somos advinhos como pensa um que outro.

Sou responsável pela mídia de algumas grandes marcas da indústria automobilística, e assim coleciono algumas pérolas via email:

  • E daí cara, vamo anunciar? (Ele havia falado comigo por telefone e eu pedi uma apresentação do veículo que ele representava. Esse foi todo o teor do seu email.)
  • Olha nosso site que é bem legal. (Sem problemas, a não ser pelo fato de que o cidadão queria me vender um banner no site e não se dignou a dizer qual o site.)
  • Vai comprar ou não? (Um último apelo, também de um site, cujo valor do banner ainda não havia sido nem exposto.)

E assim se somam dezenas de propostas inacabadas, impensadas. A internet nos trouxe a facilidade, um dinamismo sem fim. Mas, cuidado, tudo isso pode se voltar contra você. Lembre sempre que as pessoas com que você está negociando, muitas vezes até aula de caligrafia tiveram.